quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sexo Virtual... Sentir... Sensações... Sentimentos...

Abri um site que recebi sem saber o que era...
E lá estava você com o rosto estampado, linda fera,
Sorriso enigmático, parte do colo dos seios desafiando o desejo...
E, neste ensejo, percebo seus olhos que me convidam...
Profundos e incisivos solicitam minha atenção...
Fitei-os longamente e me apaixonei neste instantâneo momento...

Tormento, ilusão... Sei lá...
Coloquei você na minha memória, no meu banco de modelos...
E criei para nós uma história de amor tão linda... Vermelha era a cor...
E mergulhei nela impiedosamente... De roldão!!!
... Despudoradamente em frente ao PC calado...
Na solidão da tela, assim você me contemplava,
Mas como que sorrindo, pedindo... Você clamava!!!

Enquanto lambuzava minha mente, demente
Vi-a por inteiro, escravo da fantasia que sou,
Voyeur apaixonado, desmesurado, lá estou
A colocar seu corpo inteiro seguindo a linha de sua pele...
Céus que pele! Macia e doce como mel e tão bela quanto flor...

... E desenhei seus seios no formato da imaginação...
Pintei mamilos e contornos com contrastes de luz e sol...
O umbigo bem cortado, que como um cone arrelia meu tesão...
Desço mais um pouco... Esquentado...
E, num triangulo perfeito de onde que se vê o outro lado,
Pequenino espaço de tamanha sensação,
Paro contemplando como num templo... Arrebatado!!!
Quanto tempo? Não sei, mais ainda sinto a sensação...

Sabiamente percorro todas as manhas ali contidas,
Os recurvos e detalhes, linhas, curvas como entalhes
Do mais perfeito escultor (ou quem sabe foi O Tudo), que as fez com amor e paixão...
Como deste jeito me devora agora - mulher real e aqui no meu corpo –
... E assim será pelo sempre... Pelo eterno em que se tornou... Perfeito...
Torno-a assim, tão tão...

Penetro os labirintos, toco suas nuances, encontro seus prazeres
E, sem dizeres nem pedires, me locupleto silenciosamente como louco
Enfio ali minha alma, com calma, mais um pouco e à exaustão,
... Mas não me sacio e quero mais... Vou atrás e eis que mais encontro...

Desbravo outras paragens - miragens? - deste corpo quente e gostoso,
Fogoso e depravado, profano e soberano no mandato do desejo...
Crio imagens, que viagem, mas pasmado e sôfrego prossigo...
Com meus lábios e dentes, mãos e afagos... Magos...
Consigo e alcanço outras plagas, novas curvas, novas entradas,
Longas coxas torneadas que, com a ousadia de gênio e o grau máximo do possível,
Demarca assim o profano, que profano sutilmente numa pegada magistral
Esfomeada, intensa, rebuscada, cuidadosa, carinhosa... Divinal... Incrível!!!


Chego ao joelho e me ajoelho para aperfeiçoar a visão... Perfeição...
Talvez me rendo a uma íntima e profunda oração...
Lambendo sua pele e beijando-a desde sempre (e desde então assim que a criei)
Me embrenhei pelos desvãos e chego aos pés, aos dedos e retorno à sua boca...

Louca, semi aberta, desejosa, corajosa a encarar minha profanação...
Conheço assim a sua língua e me internalizo em você... Liberta e libertária...

... Penso que assim conversamos e aí permaneço muito tempo...
... Um período de reflexão da alma no corpo...
Mostramo-nos pelos lábios e cada gota do prazer, do beijar...
Beijar, muito beijar... Beijando, beijando...
Trocando a saliva dos sentidos e o toque dos mágicos, o despertarem do mais abissal, da entrega, do falar sem ouvidos para escutar...
Só o sentir e o intenso tocar... Penetrando, aprofundando, adentrando...
Percebendo-a mulher e a amante, a pessoa e a desejante...
Minha?!... Seu?!... Nós... Creio eu... Nós nos integrando... Se nos entregando...

... Seu calor, sua sensação, seu êxtase, sua expressão de sensualidade, noto...
Consultamos nossos oráculos mais profundos e tomamos a decisão...
Um voto de penetrar nossos corpos em busca da conclusão,
Que é um encontro... Uma fusão ou confusão?!

Como se fogos de artifícios espocassem vejo-a se satisfazer e se desfazer...
Explodir, gemer e me agarrar... Pedir mais: profundidade, velocidade,
Alargamento, agarramento... Mais pressão... Pega e solta e gira e vai...
E se esvai... Se solta... Volta... Assim fica... Tão bonita... Linda, linda...
Abraça-me e fecha os olhos... Como criança pequena que se aquieta para dormir...
Suspira docemente...

Como um sátiro percebo que se encolhe como no próprio útero entrando....
Relaxando... E aumento minha tensão, atenção, pois chegou o meu momento...
E vou gozando, lambuzando e lambuzado, ousado, também me desfaço...
Putz!!! Como é bom!!!

Como um mergulho num tormento do infinito... Me solto... Vou e volto...
Mais rápido, quase imperfeito, meio mecânico... Num átimo... Segundos de imensidão...
Instantâneo e total... E também me satisfaço e ali permaneço... Aconchegado...
Nenhum som nem gemidos audíveis... Num silêncio em vendaval...
Esqueço-me que é virtual e gozo dentro de mim mesmo... No meu esmo...
Consumo assim minha paixão... Que final!!!

Recupero-me deste sonho acordado, açodado pela alucinação...
Recolho-me dentro de mim, no meu desvão, e novamente encaro sua foto...
Pura realidade ali estampada... Apenas um retrato!!! Desilusão...

Louco e depravado, (tarado?), não, talvez tolo, tento anular tudo o que ainda sinto...
Revolto-me, cambaleio nos meus conceitos, leis internas severas...
Punitivas, culpativas, punitivas e me atolo, me enrolo, me magôo...
Leio-me em desaprovação... Quase choro... Choro!!!

Deveras curti tal delírio,
Qual lírio que nasce da lama e se irradia repleto, belo, total... Liberto na imensidão...

Quedo-me num silêncio absoluto e impoluto... Digno, me perdôo...
Usufruí o mais puro prazer com você, esta linda mulher que aumentei,
Que insuflei e dei vida, ressuscitei de um retrato e a criei na fantasia...
E a eternizei, tornei-a real na minha ilusão... Pura poesia... Fascinação...

Sou-lhe grato e novamente a contemplo no retrato... Leio tudo o que ali colocou,
Neste blogue que grogue me tornou e de onde você me apaixonou...
Quero que minha paixão continue mesmo em sonho, na diferença de nossos abismos
E não permissões, nossas ilusões, na fantasia que extasia e até leva à reflexão
Do que é o real e o que não é não...
Qual a verdade?
O sexo foi virtual?
E o que faço do que vivi e senti e gozei...
Se for virtual eu não sei, nem sei se é real ou não...

Guardei seu endereço na Internet e vou voltar...
Antes, vou deixar esta mensagem e aguardar... Quem sabe você venha a se apaixonar?
Estarei a lhe aguardar...

Virtualmente apaixonado me despeço e peço que leia e reflita...
Não me apague sem reflexão, não fique aflita... Afague-se e me sinta...
Vença este inimigo do que é bom e saudável, o não! Experimente e se amplie...
Diga sim aos seus desejos, bom começo de quem se sabe e se permite...
Se gostar de tudo isso, me ligue... Se apaixone por mim e telefone...
Quem dera que seja assim, quero ouvir você dizer meu nome...
Claro que a quero junto a mim... Mas até então e/ou se não...
Salve a Internet, salve o virtual...
Beijos reais...
Dermeval

FRIENDS UP

Aguardo-os também no FRIENDS UP!!!

sábado, 9 de agosto de 2008

Meu câncer...

Venho lutando pela vida contra doenças desde 2000.

Inicialmente um enfarte, provocado pela arritmia cardíaca que se manifestou intempestivamente, como sempre faz, para pegar de surpresa e matar, na maioria das vezes... Resisti com a respiração diafragmática e consegui chegar no hospital a tempo.

Uma parada cardio-respiratória logo a seguir, (novamente não morro pelo mesmo recurso respiratório, santo remédio prolongador de vida, pois quem respira não morre), mas deixou seqüelas imensas, com o coração dilatado e o prognóstico para o transplante cardíaco... E uma péssima qualidade de vida...

Sobrevivi uns 3 anos com aparelhos embutidos no peito (um desfibrilador e logo um outro cardio versor) que faziam o coração bater permitindo a vida, mesmo que combalida e tímida, ameaçada...

Finalmente em 2003, graças a uma família consciente da vida e da morte, que permitiu doação dos órgãos do filho adolescente que acabara de sucumbir num acidente de moto, fui o escolhido para receber o órgão do coração...

Longos anos de sobrevivência difícil, pequena, incompreensível pela baixa sensação de vida, inúmeros medicamentos, filas e ações judiciais (para que o governo entregue as medicações que a lei os obriga a entregar, mas as verbas são desviadas para a roubalheira que sabemos grassar nosso país, desgraçando-o...), terríveis e complexos efeitos colaterais de drogas imunossupressores que demandam novas drogas para anular os efeitos delas mesmas... Uma farmácia ambulante... Céus...

Algo não andava bem comigo, com meu corpo e com minha alma... A energia drenada e sem diagnósticos que ajudassem a curar ou diminuir todo o sofrimento, a depressão, as dores, o permanente desconforto de estar vivendo... Uma existência em preto e branco, mais para cinza...

... E não me contento com as falas do “graças a deus que está vivo... ou “olhe o outro ao seu lado que sofre mais...” e assemelhadas, pois tenho a absoluta crença num divino bom e justo, que não nos obriga ao sofrimento como se antecipadamente culpados, e que nos dotou com o bem maior, a inteligência, justamente para desenvolvermos isto que pertence ao ser humano... Usar sua paixão e criatividade para o desenvolvimento e o progresso.

Algo estava errado, muito errado, mas não conseguíamos descobrir. A equipe médica foi incansável. Exames e mais exames e nada... Eu apresentava, aparentemente, o quadro esperado para um transplantado do coração...

Aí, em Dezembro de 2007, contraí uma pneumonia. Nada anormal, pois faz parte do arsenal de possibilidades para o quadro do transplante, com tão baixa imunidade. Saí, mal, para os festejos de fim de ano, e regressei com outra pneumonia em Janeiro de 2008... Dois meses de internação e mais exames e prognósticos, pois não me sentia melhor e descobre-se uma Tuberculose... Meu divino!!! Que coisa!!! Briguei com ele, muito!!! Tuberculose?!

Em Abril começo a sofrer fortes cólicas, dores que nunca havia sentido antes...

Novos exames e surge a notícia: câncer no intestino grosso, dos maus, já adiantado e que requeria cirurgia urgente, o que foi feito em 07 de Maio.

É uma cirurgia dolorosa, talvez as maiores dores que já me doeram na vida... E dispensei a morfina rapidamente, não gostei de seus efeitos colaterais... Preferi a dor... Santa dor que nos faz refletir...

Mais uns dias internado e recebi alta do hospital.

De volta ao querido lar, onde tenho meu arsenal de vida e sobrevivência, meu consultório, meus livros, os violões, as músicas, a TV e o computador que me liga ao mundo inteiro... E onde a família e os amigos podem estar sempre comigo com conforto e liberdade... Meu mundo!

Mas algo novo e bom está acontecendo comigo.

Uma espécie de alívio geral, despressurização das nuvens negras que me rondavam desde o transplante... As cores da vida, do mundo e das gentes retornam aos seus lugares de sempre, a depressão cede e a vida abre-se para a novas paixões, novos caminhos, novas visões... Retomei meu antigo hábito de ler desmesuradamente, centenas de páginas diariamente, além do jornal e das revistas, do PC e da TV...

Pois bem, aquele câncer já estava dentro de mim há cerca de 5 anos... Os médicos suspeitam que tive perda sanguínea este tempo todo, mascarada pela constante diarréia atribuída ao excesso de medicamentos e seus efeitos colaterais, à perda do nervo vago, destruído na cirurgia...

Não sei se é isto mesmo, não busco outras respostas, pois o câncer trouxe as respostas que minha alma ansiava. Explicou todo aquele drama, a falta de energia, a perda do sabor de viver e de sentir a vida, a falta da alegria e o desconforto permanentes.

Com a cirurgia extirpei o que me consumia e esgotava... Hoje enfrento a quimioterapia com coragem e certeza de que a vida vale a pena sempre... Sei que novas encrencas podem surgir, mas não temo!

Esta experiência dolorosa tem uma explicação médica, coerente, sem pieguices nem compensações.

Não gosto e nem aceito as explicações da vida por metáforas, submissões e o etéreo...

O que me acontece faz parte da minha história pessoal, importante para que a vida faça sentido. É a lei da ação e reação, da genética, do real. E o divino, penso-o assim também.

Uma vez li que um cientista ao ser perguntado sobre o que era Deus, respondeu que é aquilo que a ciência ainda não explica, e que sempre haverá o inexplicável, mas que cabe aos homens perscrutarem eternamente em busca de explicações, pois este é o espírito divino. Gosto disso e adotei!

O não aceitar o tal “graças a deus...” e o “olhe o sofredor maior e agradeça por...”, por julgar que o divino está sempre a nosso favor.

Agora posso passar adiante minha história e convidar àqueles que estão em pior situação a se rebelarem contra ela, a buscar respostas, a ultrapassar limites, a não se contentar com o inexorável ditame de crenças compensatórias e minimizantes de nossa eterna capacidade de renovação...

E a paixão tem um lugar todo especial nisto tudo, pois é a grande ferramenta do crescimento humano. É quando olhamos para dentro de nós mesmos e nos fascinamos com nossa beleza interior, com o poderio de nossa criatividade, com nossa real possibilidade de sermos humanos... Somos possíveis, mesmo que doentes, cambaleantes, envelhecidos, feios e desprotegidos... Somos o divino que está em tudo e em todos e não precisa de intermediários nem de cultos e frases, nem de rituais e templos... Somos mais um dos infinitos templos do divino, mas devemos crer em nós mesmos para conseguirmos crer no divino...

Abençoadas sejam as doenças e os males e assim também seja nosso poder de nos sabermos, investigarmos nossos limites e irmos em frente, caindo e saindo andando para não sermos pisados, acreditando eternamente que o amor começa quando nos amamos...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Espaço Mínimo

Não adianta todo o universo às ordens, pois neste momento minha visão é de um espaço mínimo... Sinto dor, muita dor...

Passeio meus olhos pelo ambiente e nada me contenta nem me responde, recolho-me em mim mesmo e busco calma, consciência, saída.

Atenção máxima aos meus sintomas, detalhes informam o que se passa no meu interior e me impedem de entrar em pânico, ainda tenho reservas e posso esperar...

Aliás, o desespero não ajuda...

A vida se transfere para cada detalhe do meu corpo, cada poro que se estica na pele sem esperança de que este drama vá terminar, mas a consciência me põe em alerta e percebo minúcias, apreensivo, expectante, atento...

... Apenas quero cuidado na inserção das agulhas que conduzem medicamentos para dentro de mim..., pois dóem, agridem, invadem...

Olho aflito para os olhos dos enfermeiros que me cercam e aguardo a agulhada. Toda a percepção dirige-se para a ponta da agulha que ameaça a pele, busca caminhos entre as carnes para perfurar veias e artérias, ali se fixar e transferir drogas, antibióticos, soro...

Mas os olhos dos enfermeiros não fixam os meus e nem me notam, eles nem ouvem meus reclamos, as súplicas, de que coloquem o equipo num local que me permita mais mobilidade e menos sofrimento... Apenas um pouco mais de conforto já que tais perfurações irão permanecer dias no mesmo local, dolorido, infiltrado, inchado, ferido... Minha pele chora e eles não vêem...

Eu choro e também não mais percebo minhas lágrimas... Céus... Semanas e semanas na mesma torturante rotina de dores... A mesmice das dores...